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Colete salva-vidas: como funciona e o que conferir no passeio

Pilha de coletes salva-vidas laranja numa caixa aberta no convés de uma escuna, com um colete infantil em cima.

Resposta curta: o colete certo é homologado pela Marinha, é do seu tamanho pelo peso e fica vestido e fechado sempre que a atividade pede. No barco, confira onde ficam os coletes e em que momento eles devem ser vestidos.

Aqui explicamos as classes, como escolher o tamanho, o que muda no colete de criança, a diferença entre o de espuma e o inflável, e em quais passeios ele entra. No fim, o que perguntar antes de embarcar.

As classes, em uma tabela

A Marinha divide os coletes em classes, pela área de navegação e pelo uso. Em passeio, as que você mais vê são a III e a V.

ClassePara quêOnde aparece
I e IImar aberto e costaquase nunca em passeio turístico
IIInavegação interior: rios, lagos, baíasbarco, escuna e lancha de passageiros
IVtrabalho a bordotripulação
Vuso esportivobanana-boat, caiaque, lancha pequena, pesca
V Especialcorredeira, águas brancasrafting

O colete classe V é feito para deixar o corpo livre: remar, sentar, subir no bote. Em troca, ele não vira de barriga para cima quem cai desacordado. A norma manda escrever esse aviso no próprio colete quando ele não tem apoio de cabeça.

Como ele flutua e por que o peso decide o tamanho

O colete de espuma flutua por causa do material, sem depender de ar preso. A norma de homologação fixa quanto cada tamanho precisa sustentar na água. E o tamanho é escolhido pelo peso de quem usa, não pela idade.

TamanhoPeso de quem usaFlutuação mínima (classes III e V)
Extra grande110 kg ou mais10 kg
Grandede 55 a 110 kg7,5 kg
Médiode 35 a 55 kg5,5 kg
Criança Ide 25 a 35 kg3,5 kg
Criança IIaté 25 kg2,5 kg

Colete grande demais sobe no corpo e pode sair pela cabeça. Colete pequeno demais não fecha. Por isso a etiqueta traz o peso indicado, a classe, o fabricante, o modelo, o número de série, a data de fabricação e o número do certificado de homologação. Sem etiqueta legível, desconfie.

Colete de criança

Em barco de passageiros, a norma pede coletes de criança a mais, de modo que haja um para cada criança a bordo. Mesmo assim, pergunte antes, dizendo o peso do seu filho.

Para criança pequena, procure dois detalhes:

  • gola, um apoio atrás da cabeça que ajuda a manter o rosto fora da água;
  • tira entre as pernas, que ajuda a manter o colete no lugar. Peça à equipe para conferir o ajuste.

Um teste rápido: com o colete fechado, levante a criança pelos ombros do colete. Se o queixo e as orelhas escapam por dentro, ele está largo.

Colete não substitui adulto olhando. Criança pode virar o rosto para a água mesmo flutuando.

Atenção ao colete infantil vendido como “auxiliar de flutuação”. Ele flutua menos, é feito para quem já nada e, pela norma, leva escrito “não é um equipamento salva-vidas”.

Espuma ou inflável

EspumaInflável
Como flutuao próprio materialum cilindro de gás enche a câmara quando acionado
No corpomais volumosofino, parece um suspensório
O que conferirrasgo e espuma encharcadacilindro cheio e mecanismo revisado
Para quemadulto e criançaconforme a indicação e a homologação do modelo

O inflável também pode ser homologado no Brasil, e a norma de homologação prevê modelos para adulto e para criança. Mas ele depende de um mecanismo funcionando e de revisão. Confira para quem o modelo é indicado e leia as instruções. Em passeio turístico, o que você recebe quase sempre é o de espuma.

Em quais passeios ele entra

  • Barco, escuna e lancha: um colete por pessoa a bordo, à vista e sinalizado, nunca em armário trancado. A tripulação deve mostrar como vestir antes de sair.
  • Banana-boat e outros rebocados: colete obrigatório para todos.
  • Rafting: colete obrigatório no bote, em modelo feito para corredeira. A Marinha recomenda capacete, e a atividade tem normas ABNT próprias (NBR 16708 e NBR 15370).
  • Boia-cross, caiaque e SUP (stand-up paddle): o colete faz parte do equipamento. A ABNT NBR 16948, de atividades aquáticas, cobre boia-cross, canoagem e SUP. Para a Marinha, a prancha de SUP não é embarcação e o colete é recomendado, não obrigatório.
  • Flutuação em rio: as trilhas aquáticas têm norma própria, a ABNT NBR 17172. Pergunte se o colete está incluído.
  • Parada para nadar: em alguns passeios de barco, o colete para entrar na água é cobrado à parte.

Empresa de turismo de aventura, como rafting e boia-cross, precisa de cadastro no Cadastur, do Ministério do Turismo, e de sistema de gestão da segurança.

Colete salva-vidas laranja aberto sobre o banco do barco, com as fivelas e a fita de ajuste à mostra.
Fivelas fechadas e fitas apertadas: o colete não pode subir até as orelhas.

Como vestir e apertar

A norma de homologação pede que o colete possa ser vestido em até 1 minuto, depois de uma demonstração. Na prática:

  1. Solte as fitas antes. Colete guardado com nó atrasa tudo.
  2. Vista pela cabeça (modelo canga) ou como jaqueta (modelo jaleco).
  3. Feche as presilhas de cima.
  4. Passe a fita de baixo em volta da cintura e aperte bem.
  5. Puxe o colete para cima pelos ombros. Se ele sobe além do queixo ou das orelhas, peça à equipe para conferir o ajuste e, se precisar, trocar o tamanho.

Feche tudo antes de embarcar, e não na hora do susto.

Sinais de colete gasto e higiene

A norma brasileira não fixa prazo de validade. O que vale é o estado. Recuse o colete com:

  • rasgo no tecido ou espuma aparecendo;
  • fita desfiada ou presilha quebrada;
  • tecido desbotado ou espuma encharcada;
  • etiqueta ilegível.

A etiqueta manda lavar em água doce depois do uso, secar longe do sol e guardar em lugar ventilado. E avisa: colete não é assento. Colete dividido entre grupos passa por muitas pessoas no mesmo dia, então pergunte como e quando ele é lavado.

Levar o seu ou usar o da empresa

O barco tem que ter colete para todos, então você não precisa levar. Levar o seu faz sentido quando:

  • a criança tem um peso que costuma faltar no estoque do passeio;
  • você vai repetir a atividade e quer um colete que já conhece.

Se levar, ele precisa ser homologado e do tamanho certo. Pergunte antes se a empresa aceita colete de fora.

As marcas que você vai encontrar

Em ordem alfabética, sem ranking. O que segue é anunciado pelos próprios fabricantes ou pelo varejo. Confira a etiqueta do colete que você recebe.

  • Ativa: fabricante brasileiro de boias e coletes; anuncia 170 modelos homologados.
  • Coleman: aparece no varejo com colete infantil anunciado como homologado.
  • Jogá: anuncia colete classe V homologado.
  • Prolife: anuncia coletes classe V e infantis homologados.

Perguntas frequentes

Quem sabe nadar precisa usar?

Depende do passeio. Em banana-boat e rafting, todos usam. No barco, a regra é ter um colete para cada pessoa; pergunte se a empresa pede que ele fique vestido.

Colete tem validade?

A norma não fixa data. Vale o estado de conservação.

O colete infantil da loja de praia serve?

Só se for homologado. Procure a classe e o número do certificado na etiqueta.

O colete esportivo mantém fora da água a cabeça de quem desmaia?

O classe V sem apoio de cabeça traz o aviso de que não faz isso. Confira a etiqueta.

E se eu tiver alguma condição de saúde?

Avise a empresa antes, se você tem alguma condição de saúde.

Antes de embarcar, pergunte

  1. Tem colete do meu tamanho e do tamanho de cada criança, pelo peso?
  2. Os coletes são homologados pela Marinha? Posso ver a etiqueta?
  3. Vou usar o colete o tempo todo ou só em parte do passeio?
  4. O colete para entrar na água está incluído no preço?
  5. Quem mostra como vestir, e quando?
  6. Como e quando os coletes são lavados?
  7. Em rafting e boia-cross: a empresa tem Cadastur?

Para aproveitar

  • Saiba o seu peso e o de cada criança antes de reservar.
  • Chegue cedo para vestir com calma.
  • Ao receber o colete, leia a etiqueta e puxe pelos ombros.
  • Se ele não fecha direito, peça outro. Não aceite “vai assim mesmo”.

Setor de passeios na água, conectatours